Terça Traquina – Carão com carinho


Inicialmente, gostaríamos de expressar nossa imensa alegria por fazer parte da equipe de uma instituição repleta de afeto e humanidade, como é o Lar Maná. E foi com um grande prazer que recebemos o convite para estarmos, semanalmente, abordando temas que trazem à luz reflexões acerca da criança e do adolescendo em seus aspectos afetivos, relacionais e psicológicos.

É importante ressaltar que não traremos manuais nem receitas de como lidar com às questões referentes à infância e juventude. Nosso objetivo primordial é problematizar e refletir as questões pertinentes ao desenvolvimento das nossas crianças e adolescentes, levando em consideração que tais questões são vivenciadas, sobretudo, subjetivamente, e por este motivo, são singulares.

Iniciaremos nossas reflexões, neste espaço, a partir de uma questão importantíssima, que consome bastante tempo e energia de quem está incumbido da árdua tarefa de educar. Você já sabe qual é?

 

Impor limites: você tem dificuldades?

 

Sabemos que não é fácil aplicar as medidas educativas com crianças e adolescentes que se afastam do comportamento estabelecido/desejado socialmente. De acordo com Schettini (2011), as dificuldades para impor limites devem-se, dentre outras questões, ao medo de ter a autoridade contestada, e ao medo de desagradar ou perder o afeto da criança e/ou adolescente.

Mas será que numa relação afetiva bem estruturada, perde-se o afeto assim tão facilmente? O mesmo autor responde essa nossa questão a partir da relação entre repreensão e afetividade:

 Para a criança, tem uma autoridade maior a pessoa que vive com ela uma sadia relação de afeto. Ela se sente mais disponível para aceitar as medidas proibitivas, apesar do seu caráter desagradável, quando são tomadas por quem, efetivamente, a ama e a trata com ternura.

O afeto não se faz presente apenas no toque. Às vezes, um simples olhar afetuoso, uma escuta atenta, é capaz de promover o acalanto que um abraço proporciona. Uma atitude cuidadosa e carinhosa pode fazer com que o outro se disponibilize para a relação.

Talvez seja a hora de pensarmos a respeito de como estamos tentando impor os limites. Já ouvimos dizer, e sentimos na pele, que a forma mais eficiente de afetar alguém é pelo afeto. E para endossar ainda mais, Schettini (2011) ressalta que: “quem ama repreende com mais eficiência e respeito. Sem dúvida, é possível o carão com carinho“.

Este é o nosso convite. Vamos experimentar?

Carla Queiroz Matias

 

Referência

SCHETTINI, Luiz. Carão com carinho. Recife: Bagaço, 2011.