Frustração e amadurecimento


Tudo tem seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu.” (Ecl. 3.1).

 

Na infância, sobretudo nos primeiros meses e anos de vida, é comum observar os esforços empreendidos pelas crianças com a finalidade de obter o que deseja. E isto não é de causar espanto, tendo em vista que, nesta fase, o ser é regido pelo princípio do prazer. Não raro, seus gritos, choros e palavras desconexas refletem o desejo de ter tudo para si, seja a comida, o brinquedo, a atenção ou o afeto.

Na medida que vai se desenvolvendo, a criança é apresentada ao verbo “esperar”, e isto, muitas vezes, causará ansiedade e frustração, que se estenderão pela vida adulta. Quem não já esbravejou por não conseguir obter o que desejava na hora esperada? Quem não já esteve na companhia de alguém que, impacientemente, atropelou o tempo e tomou decisões equivocadas?

Lidar com as necessidades e com o tempo não é tarefa simples. Requer paciência, maturidade e certa dose de resiliência, afinal, às vezes, nem tudo acontecerá da forma e na hora que se deseja. Ao invés de simplesmente bater o pé e fazer birra, pode-se aproveitar o momento de frustração para refletir e identificar a melhor maneira de agir para obter o que se deseja.

Isto pode, e deve, ser ensinado naquele momento em que a chupeta cai e o bebê chora para ter de volta o seu objeto de satisfação, ou ainda quando a criança se encontra intensamente desejante numa loja de brinquedo. Pode parecer circunstâncias banais, mas elas serão referências para muitas outras experiências.

Esperar é saber desfrutar cada fase da vida, cada decisão, cada frustração, cada derrota, cada momento de sofrimento. Saber que é a falta que possibilita a reavaliação do valor das pessoas e/ou das coisas, ao mesmo tempo em que torna viável o aperfeiçoamento pessoal.

Carla Queiroz Matias