Terça Traquina – Não é não.


Seja o seu ‘sim’, ‘sim’, e o seu ‘não’, ‘não’. ” Mt. 5.37a

 

Crescemos acreditando que a negação é algo que causa desconforto, tanto para quem diz o “não”, quanto para quem o recebe. Talvez isto seja creditado às nossas experiências, pouco exitosas, de precisar, ou simplesmente desejar, dizer não a alguém; ou ainda, de receber uma negativa como resposta.

Esta situação se dá logo no início da vida. Por exemplo, uma criança que tem seu objeto de desejo retirado e/ou negado, se expressa a partir do choro, da birra, do grito com a intenção de obter seu objeto perdido. Nesse momento, a mãe, o pai ou o responsável pela criança, também será tomado por sentimentos desconfortáveis: raiva, frustração, impaciência; seja pelo comportamento arredio da criança, ou ainda, pela necessidade de não ceder ao apelo.

Este ou qualquer outro conflito é terreno fértil para o aprendizado. Para a criança, é o momento no qual ela começará a entender os motivos da negação: o horário é inoportuno para brincar com instrumento musical? Comportou-se mal e teve seus direitos cerceados? Mais importante do que o motivo que levou a recusa, é o entendimento deste motivo.

É aí que entra, também, o aprendizado do adulto. Para ser efetivo, seu posicionamento precisará estar respaldado. Não apenas para dar justificativas à criança, afinal, nem sempre isto será necessário, tendo em vista que não se negocia o inegociável. Por exemplo, hora do banho, é a hora do banho; hora de dormir, é a hora de dormir, hora de comer, é a hora de comer etc.

Para o adulto, saber o motivo que o levou a tomar medidas disciplinares com relação à criança, o auxiliará a não tomar atitudes intempestivas, que, na maioria das vezes, resultam em arrependimentos: uso da força física, gritos, palavras dolorosas etc. É para evitar esse tipo de situação que se faz imprescindível estabelecer os limites. É claro que haverá momentos nos quais a mãe, o pai ou o adulto responsável precisará e/ou desejará ser flexível. É importante observar que, até para flexibilizar alguma situação, se faz necessário o limite como ponto referencial.

Os limites são importantes, principalmente, para o processo civilizatório, no qual a criança será preparada para a vida social, incluindo suas regras, sobretudo, os direitos e deveres de cada um. Este processo é iniciado em casa, pelos pais ou adulto responsável pela educação. Por este motivo, é importante ter consciência do nosso papel enquanto educador. É necessário plantar boas sementes para colher bons frutos.
Carla Q. Matias