Terça Traquina – Vamos falar de herança?


“E crescia Jesus em sabedoria, estatura, e graça diante de Deus dos homens.” Lc 2.52

 

Você já parou para pensar o quanto um pai, uma mãe, ou quem exerça a função destes, é imprescindível para a constituição de um indivíduo? Basta nos reportarmos à condição fetal, na qual o feto tem suas necessidades básicas providas satisfatoriamente. Tem a alimentação e o oxigênio que precisa, ao mesmo tempo em que, a temperatura e o espaço são propícios para sua condição. É claro que para que tudo ocorra desta forma, a mãe precisa estar saudável; e caso haja alguma carência, a medicina já tem recursos para supri-las e não deixar nada faltar para o ser que está sendo gerado.

Passados os nove meses, o momento do parto. E aí, o feto, que antes tinha todas as suas necessidades atendidas, agora precisa se acostumar a se relacionar com o mundo externo através dos sentimentos, das sensações e percepções. É justamente nesse momento que os pais, ou quem exerça a função destes, tornam-se ainda mais necessários. Quem dirá ao bebê que o que ele sente é fome, sede, sono ou dor? Quem nomeará esse mundo externo, e tudo que há nele, para o ser humano que está se desenvolvendo?

Isto não se resume aos aprendizados básicos, tais como, comer, andar, falar. Vai muito além. Abrange a forma como este ser humano irá se posicionar com relação às regras sociais, e se este posicionamento será ético ou não. É o tipo de educação que extrapola o espaço escolar. É a educação construída a partir de bases sólidas, embasadas em princípios éticos, morais e espirituais, desenvolvendo assim, não apenas um ser, mas um ser HUMANO. Em Provérbios 22.6, temos “ensinar  a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho não se desviará dele”.

Acreditamos que aprender a ser um ser social, humano; que saiba se relacionar de forma ética e afetiva com seus semelhantes e com o espaço, é a herança mais significativa que podemos deixar para alguém. Talvez mais do que aquela deixada através de bens materiais. Sabemos que o dinheiro compra muitas coisas, e é um dos responsáveis pelas benfeitorias que buscamos fazer ao longo da nossa vida pessoal e profissional, mas o capital financeiro não deve ser a mola propulsora das nossas ações diárias. O amor, sim.

Carla Queiroz Matias