Terça Traquina – Pai adotivo


Em amor nos predestinou para sermos adotados como filhos. ” Efésios 1:5a

 

Você já se questionou sobre os motivos que levam um homem, uma mulher ou um casal a adotar uma criança? A impossibilidade de gerar um filho pode ser o mais facilmente associado à adoção. Todavia, penso que o mais contundente (e desejável) motivo para adotar seja o desejo genuíno de ser pai e/ou mãe.

Costumo pensar que a adoção está longe de ser um ato de caridade. Pensar em adoção é pensar em doação, coragem para reconstruir a história de alguém. Você pode estar se perguntando se alguém que adota uma criança com dias ou meses de vida terá o árduo trabalho de reconstruir sua história de vida. Eu digo que sim, e explicarei o motivo.

Algumas teorias afirmam que a criança passa a existir antes mesmo de ser gerada, ou seja, no desejo (ou na falta dele!) dos pais. Acompanhando essa linha de pensamento, pode-se constatar que, por menor que seja a criança, e por menos que se lembre da sua vida antes de ser adotada, ela traz consigo alguns registros, sobretudo inconscientes.

Sobre esses registros, podemos pensar em aspectos tais como abandono e/ou negligência. Este tipo de situação pode ocorrer pela falta de desejo, por parte dos genitores, que se colocam indisponíveis afetiva, psicológica, ou ainda, economicamente para serem os pais dessa criança.

Seja qual for a indisponibilidade dos genitores, as marcas na subjetividade e na afetividade das crianças não poderão ser facilmente apagadas, e nem é desejado que seja, tendo em vista que o mais acertado a se fazer é tornar clara a história de vida da criança adotada. É lembrá-la da sua origem e do seu lugar no contexto atual. Viu só por que um pai adotivo tem, dentre outros desafios, o de reescrever os capítulos decisivos na vida do seu filho?

Só alguém com o desejo genuíno de ser pai ou mãe é capaz de abarcar essa demanda. É preciso ter o desejo e a disponibilidade para enfrentar os mais diversos conflitos provenientes da história de vida da criança e/ou do adolescente, e ainda assim, dar o seu melhor para proporcionar um lar construído a partir do amor, respeito, educação e lei. Ser referência para um ser humano em formação é tarefa das mais desafiadoras, e talvez a mais gratificante para um pai.

É a partir da relação com um filho que nasce um pai ou uma mãe, sejam eles pais biológicos, pais solteiros ou pais adotivos. Pouco importa nomenclatura para um homem que decidiu ser o pai de uma criança. Este homem precisa, apenas, saber que a sua importância na vida do seu filho é imensa, e que o seu papel no desenvolvimento do ser por ele cuidado é o de ator principal.

Carla Q. Matias