Terça Traquina – Ser pai ou mãe é uma função?


E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor.” Efésios 6.4.

 

Você já parou para se perguntar se há danos psicológicos e/ou afetivos em crianças que são criadas por pessoas que não são seus genitores? Quantos de nós conhecemos crianças que foram criadas por parentes (tios, avós etc.), por amigos da família ou até por desconhecidos? E você, conhece crianças criadas por apenas uma mulher? E por apenas um homem?

As novas configurações familiares têm favorecido os mais diversos arranjos. E embora saibamos que há os defensores e os críticos de cada um desses arranjos, vamos focar no essencial: no desenvolvimento saudável de uma criança, independente da configuração familiar na qual ela está inserida.

Para que uma criança se desenvolva de forma saudável, é necessário oportunizar, para ela, os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana: o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade; como descrito no Artigo 3º do Estatuto da Criança e do Adolescente.

Independente do grau de parentesco, gênero ou orientação sexual, crença; quem se responsabiliza por uma criança, precisa partir dos pressupostos acima citados. É o que chamamos, psicanaliticamente, de “fazer função de…”, exercendo o papel de mãe e/ou pai.

O exercício dessas funções também se dá em pais e mães solteiros, tendo em vista que precisam fazer, simultaneamente, os papéis materno e paterno. Mas sobre isto, trataremos no próximo texto.

O fato é que não há um modelo a ser seguido, nem fórmula para ser adotada na educação de uma criança. O importante é prover todo o necessário para que ela se desenvolva, de forma saudável, nas esferas afetivas, cognitivas, éticas e sociais. Seja em uma relação construída por consanguinidade ou por aliança.

Talvez, o componente mais significativo para a educação seja, antes de qualquer outro, o amor. A partir dele, é possível o estabelecimento de limites, a construção de uma boa relação familiar e, consequentemente, filhos mais confiantes e autônomos. Acredito que a maior gratificação para alguém que educa um ser, é vê-lo andar sozinho por bons caminhos.

Carla Q. Matias