Terça Traquina – Cidadania: Repassando valores


“Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas.” Mateus 7.12.

Ao nascermos, recebemos um registro de nascimento que fornece as nossas primeiras informações, nos tornando cidadãos. Passamos a ter nome e nacionalidade, e a fazermos parte do contexto sociocultural do nosso país de origem.

Em comemoração ao dia 7 de Setembro, vamos refletir um pouco a respeito do que é ser patriota, sobre o que é se sentir pertencente a um país e lutar por ele. De acordo com o Michaelis, Patriotismo significa: sm (patriota+ismo) Amor da pátria, devoção ao seu solo e às suas tradições, à sua defesa e integridade.

Será que essa definição é capaz de nos remeter aos valores socialmente construídos e estabelecidos? Será que, quando ouvimos a expressão “amor à Pátria”, relacionamos, automaticamente, a algo que está exterior a nós ou as nossas relações interpessoais?

No atual cenário, tornou-se comum encontrar cidadãos insatisfeitos com a situação política e econômica do país. Por outro lado, há os que estão satisfeitos. O que mais salta aos olhos é como o discurso que embasa os pontos de vista, seja ele contra ou a favor, em geral, destoa das atitudes diárias de cada cidadão. É coerente eu reclamar da corrupção se, ao mesmo tempo, furo uma fila ou não devolvo um troco dado a mais por engano?

É claro que uma reflexão acerca das questões políticas de um país, não deve ser trazida à luz de uma forma tão simplória; mas tem o objetivo de fazer pensar, criticamente, na relação entre a forma como agimos cotidiana e rotineiramente, e a maneira como nos posicionamos diante de questões importantes para a manutenção da ordem política, social e econômica da nação a qual pertencemos.

Independente da posição que se escolhe assumir, penso que a questão central norteadora seja, de fato, a ético-política, e consequentemente, o entendimento dos direitos e deveres de cada cidadão. Esses valores são (ou deveriam ser!) repassados desde muito cedo, ainda nos primeiros meses de vida do ser em formação.

Educar um ser que pensa criticamente e age em coerência com as suas ideias, não é tarefa das mais fáceis. E quando falo em pensamento crítico e postura coerente, falo do entendimento de que exercer a cidadania é ter direitos e deveres civis, políticos e sociais.

“Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas.” Mateus 7.12.

 

Entender que não basta ser bom consigo e lutar apenas por objetivos pessoais, estendendo a preocupação e proatividade para as causas que abarcam um grupo maior, talvez seja um dos primeiros passos a serem dados. Orientar uma criança sobre a necessidade de ajudar nas atividades domésticas, a não jogar lixo na rua, a respeitar os direitos do outro e a cumprir seus deveres, por exemplo, são ações que darão, desde muito cedo, noções cidadãs para ela.

No mês de Setembro, estaremos refletindo e aprofundando um pouco mais sobre a questão da postura cidadã, tão importante e, ao mesmo tempo, ignorada em meio a naturalização de comportamentos inaceitáveis de uma sociedade que tem precisado se reeducar. A luta é nossa, afinal, que mundo queremos deixar para os nosso filhos e netos?

Carla Q Matias