Terça Traquina – Você é igual a alguém?


Todavia, se cumprirdes, conforme a Escritura, a lei real: Amarás a teu próximo como a ti mesmo, bem fazeis.” Tiago 2:8

O que diferencia a maioria dos brasileiros do povo da Ásia Oriental? Podemos começar enumerando as características físicas: o formato dos olhos, a estatura, a cor da pele, a fibra capilar. Em maior ou menor grau, tais características podem se assemelhar, naturalmente ou artificialmente, afinal, mesmo que eu tenha os cabelos crespos, posso me utilizar de produtos que o alisem, por exemplo.

Podemos também refletir a respeito das diferenças culturais. Você já ouviu falar de grandes catástrofes que se abateram na China e no Japão, como por exemplo, a bomba atômica em Hiroshima, os tsunamis e terremotos frequentes? Ainda me admira a forma como esse povo lida com essas adversidades. Talvez a resiliência e organização socioeconômica permitam que se reconstruam rapidamente. E aqui no Brasil, você acha que também funciona assim? Somos agraciados por não termos catástrofes naturais abalando as estruturas do nosso território, em compensação, a ação humana tem destruído mais que construído ou reconstruído.

Com isso, não quero afirmar a superioridade de uma região em detrimento de outra, mas apontar, exemplificando, que as diferenças existem, e que precisamos respeitá-las e levá-las em consideração, sobretudo para nos conscientizarmos de que não precisamos pautar nossa identidade numa outra pessoa ou em outro povo; ou ainda, em padrões socialmente construídos.

O que a cor da pele, o peso ou a fibra capilar diz sobre o caráter de alguém? O fato de eu ser do Nordeste, me coloca numa posição inferior com relação aos que nasceram no Sudeste? Esses questionamentos podem parecer banais, mas não são. Os preconceitos estão por toda parte, disseminando o ódio e desunindo seres humanos. Há, de fato, uma grande dificuldade em lidar com o diferente, com o que não corresponde aos padrões sociais do contexto no qual está inserido.

O mais interessante (e animador!) é que todo e qualquer preconceito é aprendido, de alguma forma, a partir de um discurso ou situação vivenciada. Sendo assim, é algo que podemos desconstruir e olhar sob outra perspectiva; e o mais importante, orientar nossos filhos ou qualquer outra criança que esteja sob nossa responsabilidade, a respeitar a diferença do outro, seja ela étnica, financeira, cultural, física ou de qualquer outra ordem.

Destaco ainda que, as diferenças não se resumem apenas ao que podemos observar, como por exemplo, no caso de nos depararmos com uma mulher de burca em alguma praia do litoral brasileiro. Embora possa acontecer, não é comum na sociedade em que vivemos. As diferenças encontram-se também na posição subjetiva. Já conheceu irmãos, criados dentro de uma mesma casa, pelas mesmas pessoas, e que possuem posicionamentos de vida diametralmente opostos? Pois é, deve-se ao fato de como cada um interiorizou aquilo que lhes foi passado. Apreendemos o mundo a partir das nossas experiências subjetivas.

A condição humana traz consigo uma vastidão de pluralidades e particularidades. Isto, talvez, traga consigo uma tarefa árdua, e ao mesmo tempo especial, de aprendermos a aceitar o outro como ele é, respeitando-o e amando-o na sua singularidade.

 

Carla Q. Matias