Terça Traquina – Brincadeira é coisa séria


E as ruas da cidade se encherão de meninos e meninas que nela brincarão”. Zac. 8.5

 

Passado o dia das crianças, nada mais oportuno do que refletir a respeito de algo que faz parte da vida delas desde muito cedo, a brincadeira. É a partir do brincar que, desde os primeiros meses, a criança passa a se comunicar com o mundo a sua volta, dando início a um relacionamento com as coisas e as pessoas.

Você já deve ter se deparado com a máxima “é brincando que se aprende”, e isso faz bastante sentido quando pensamos sobre o desenvolvimento infantil. Muitos educadores lançam mão do lúdico para ensinar o conteúdo programático aos seus pequenos alunos; e é bonito de ver quando eles conseguem estender essa metodologia aos maiores. A eficiência é impressionante.

É brincando que a criança também se expressa, sobretudo, porque falta-lhe recursos para verbalizar o que sente ou pensa, por exemplo. Por este motivo, nós, psicólogos, utilizamos a brincadeira como instrumento principal na terapia com os pequenos. E tem dado muito certo!

A dimensão ética também é alcançada a partir do lúdico. Já percebeu como conseguimos fazer com que as crianças internalizem as regras de um jogo? Antes de começá-lo, apresentamos a elas todas as leis e limites estabelecidos para que o jogo dê certo. É claro que, a partir das regras, surgirão também as transgressões e barganhas, campo fértil para reflexões a respeito do que é certo ou errado.

Penso que a leveza e a facilidade para apreendermos o mundo a nossa volta, aspectos tão presentes na infância, possam se fazer presente também na vida adulta. Não falo na infantilização do comportamento, mas da possibilidade de olhar o mundo a nossa volta, sobretudo as relações, com menos conceitos pré-fabricados e mais simplicidade genuína.

Talvez se, para (sobre)viver, pudéssemos cultivar a benignidade, ao invés da malícia, a vida se tornaria mais bela e extrairíamos o bem estar a partir das coisas mais simples, como faz uma criança.

Carla Matias