Terça Traquina – Brincadeiras que não são brincadeiras


“Assim diz o Senhor dos Exércitos: Administrem a verdadeira justiça, mostrem misericórdia e compaixão uns para com os outros. Não oprimam a viúva e o órfão, nem o estrangeiro e o necessitado. Nem tramem maldades uns contra os outros”.

ZACARIAS 7.9-10

 

Como lidar com brincadeiras que machucam a alma?

Sabe aqueles apelidos e comentários maldosos que circulam entre os jovens?

Consideradas “coisas de brincadeira”, essas maneiras de ridicularizar os colegas podem deixar marcas dolorosas e por vezes trágicas. Veja como acabar com o problema na sua família e, assim, tirar um peso das costas da garotada.

Vamos pensar na situação numa escola qualquer. A criançada entra na sala eufórica. A professora se acomoda na mesa enquanto espera que os alunos se sentem, retirem o material da mochila e se acalmem para a aula começar.

Nesse meio tempo, um deles grita bem alto: “Ô, cabeção, passa o livro!” O outro responde: “Peraí, espinha”. Em outro canto da sala, um garoto dá um tapinha, “de leve”, na nuca do colega. A menina toda produzida logo pela manhã ouve o cumprimento: “Fala, metida!” Ao lado dela, bem quietinha, outra garota escuta lá do fundo da sala: “Abre a boca, zumbi!” E a classe cai na risada.

O ambiente parece normal para você? Então leia esta reportagem com atenção. O nome dado a essas brincadeiras de mau gosto, disfarçadas por um duvidoso senso de humor, é bullying.

O termo ainda não tem uma denominação em português, mas é usado quando crianças e adolescentes recebem apelidos que os ridicularizam e sofrem humilhações, ameaças, intimidação, roubo e agressão moral e física por parte dos colegas. Entre as consequências estão o isolamento e a queda do rendimento escolar. Em alguns casos extremos, o bullying pode afetar o estado emocional do jovem de tal maneira que ele opte por soluções trágicas, como o suicídio.

Pesquisa realizada em 11 escolas cariocas pela Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e à Adolescência (Abrapia), no Rio de Janeiro, revelou que 60,2% dos casos acontecem em sala de aula. Daí a importância da intervenção tanto de professora como os pais.

De modo geral, entre os meninos é mais fácil identificar um possível autor de bullying, pois suas ações são mais expansivas e agressivas. Eles chutam, gritam, empurram, batem. São os fortões, os temíveis. Já no universo feminino, o problema se apresenta de forma mais velada. As manifestações entre elas podem ser fofoquinhas, boatos, olhares, sussurros, exclusão. “As garotas raramente dizem por que fazem isso. Quem sofre não sabe o motivo e se sente culpada”, explica a pesquisadora norte-americana Rachel Simmons, especialista em bullying feminino.

Como Inibir o Bullying

Para um ambiente saudável na escola e no lar, é fundamental:

  • Esclarecer o que é bullying.
  • Avisar que a prática não é tolerada.
  • Conversar com os jovens e escutar atentamente reclamações ou sugestões.

Estimular os jovens e estudantes a informar os casos.

Quase sempre tem testemunhas que não falam principalmente porque não querem arriscar a se tornarem vitimas do bullying. Mas as testemunhas são tão culpadas quanto aquele que pratica o bullying por ficarem em silencio, e devemos deixar isso bem claro.

  • Reconhecer e valorizar as atitudes da garotada no combate ao problema.
  • Identificar possíveis agressores e vítimas.
  • Acompanhar o desenvolvimento de cada um.
  • Criar com os estudantes (se for na escola) regras de disciplina para a classe em coerência com o regimento escolar.
  • Estimular lideranças positivas entre os alunos e jovens, prevenindo futuros casos.
  • Interferir diretamente nos grupos, o quanto antes, para quebrar a dinâmica do bullying.
  • Prestar atenção nos mais tímidos e calados, pois,  geralmente as vítimas se retraem.

Fonte: Abrapia

O bullying também pode ser praticado por meios eletrônicos. Mensagens difamatórias ou ameaçadoras circulam por e-mails, sites, blogs (os diários virtuais), pagers e celulares. É quase uma extensão do que dizem e fazem na escola, mas com o agravante de que a vítima não está cara a cara com o agressor, o que aumenta a crueldade dos comentários e das ameaças. Quando a agressão está num mundo virtual, o melhor remédio é, mais uma vez, a conversa. Se crianças e adolescentes confiam nos adultos que os cercam, podem contar sobre o bullying sem medo de represálias, uma vez que terão a certeza de encontrar ajuda.

Kathy Short
Bacharel em Educação e Aconselhamento
Pós graduação em Educação Infantil
Pós graduação em Supervisão e Administração
Mestrado em Educação
Doutorada em Administração Educacional (falta tese)
Aposentada como diretora/coordenadora da Escola Americana do Recife (setor educação infantil e fundamental)