Terça Traquina – O que é uma Família?


“(…) em ti serão benditas todas as famílias da terra.

Gen. 12.3b

 

Dezembro é o mês das finalizações. É o momento no qual muitas pessoas voltam a planejar novas ações e buscar novos sentidos. As confraternizações estão a todo o vapor. Parece que cresce o desejo de oferecer amor e cuidado. Até quem (acha que…) não tem família, termina, em algum momento, inserido num contexto de atenção, cuidado e trocas. Aqui no Brasil, a festa mais familiar acontece em Dezembro, o Natal, celebração do nascimento de Jesus. Por este motivo, dedicaremos este mês ao tema da família, termo tão conhecido e amplamente utilizado. Para começar, gostaria de propor uma reflexão: você sabe o que é uma família?

Há alguns anos, fazendo um cursinho preparatório para concurso, me deparei com uma aula que apresentava as diversas modalidades de família. Na ocasião, o professor estava com o firme propósito de fazer com que compreendêssemos a complexidade do tema, evitando que fossemos atuar em um núcleo jurídico, por exemplo, com a ideia reducionista de que uma família é formada, apenas, por um homem, uma mulher e seus filhos, ligados por laços consanguíneos.

De fato, tradicionalmente, o núcleo familiar era composto por pai, mãe e filhos. Todavia, ao longo do tempo, essa ideia foi se modificando. Hoje, encontramos famílias monoparentais, onde um dos pais assume, solitariamente, o cuidado dos filhos e do lar; famílias reconstituídas, formadas por casais que trazem filhos do casamento anterior; famílias que se estabelecem sem a presença de filhos, seja pelo desejo de não tê-los ou impossibilidades. Há ainda um tipo bem curioso: família unipessoal, formada por pessoas que optam por ter um espaço físico individual, sem a habitual troca relacional que um convívio compartilhado demanda. Há também a família por associação, compostas por amigos que formam uma rede de “parentesco” baseada na amizade. Quem já fez intercâmbio, ou já precisou morar na casa de amigos por qualquer outro motivo, vai entender bem do que se trata.

Seja de que modalidade for, o que mais salta aos olhos, é a importância que a família tem na vida do sujeito e no seu processo de formação. É no seio familiar que a criança será apresentada ao convívio social: direitos, deveres, regras, limites, relacionamento interpessoal etc. Quem não já ouviu aquele ditado popular de que “costume de casa, vai à praça”? Isto, nada mais é do que uma forma simples de dizer que, reproduzimos em sociedade, a herança comportamental familiar.

Sendo assim, é de extrema importância construir um lar ancorado no amor, no cuidado, na compreensão, na confiança, na orientação de uma postura ética. O laço familiar afetivo, acompanhado ou não da consanguinidade, possibilita o crescimento do ser humano em suas mais diversas esferas; portanto, sejamos uma família em casa, no trabalho, na sociedade, distribuindo nosso amor e cuidado.

Voltando à profecia citada acima que diz em Abraão todas as famílias da terra seriam benditas, abençoadas. Pois bem, esta profecia se cumpriu com a vinda de Jesus ao mundo. O próprio Deus se fez carne e osso e habitou entre nós para que todas as famílias fossem abençoadas. Jesus é da linhagem de Abraão e enquanto estava no mundo, Jesus, viveu uma vida simples de carpinteiro, de órfão e se fez expiação pelos pecados de todos e esta é a nossa bênção: a esperança e a única possibilidade de termos vida eterna com Deus.

 

Carla Queiróz  Matias

Psicóloga