Terça Traquina – Religião e Desenvolvimento


“Instrui o menino no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele” (Prov. 22.6)

 

Assim como qualquer outro componente constitutivo do desenvolvimento humano, a questão religiosa também é posta para a criança, muitas vezes, até mesmo antes do seu nascimento. Quem não já conheceu alguém que nomeou a filha ou o filho a partir de escolhas de nomes bíblicos, seja por causa da simbologia atrelada à história de vida familiar, seja por causa do significado do nome?

Via de regra, os pais ou responsáveis pela educação de uma criança tem a função de ofertar condições de desenvolvimento espiritual. Isto está previsto, inclusive, no Estatuto da Criança e do Adolescente:

Art. 3º A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-lhes, por lei e por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade.

 

A importância da religião é inegável. As concepções e crenças advindas da religiosidade são a mola propulsora das noções de sociedade e relacionamento que se pode transmitir para uma criança. Talvez a crença em algo maior, transcendente, que a realidade objetiva na qual estamos inseridos, nos propicie uma visão mais ampla acerca dos eventos cotidianos.

Os 10 mandamentos, por exemplo, são capazes de nos ofertar recursos para o nosso processo civilizatório, além de nos proporcionar uma lente mais amorosa e compassiva sobre nós, o outro e o Universo.

Sendo assim, é de suma importância educar uma criança a partir de princípios éticos e morais (tolerância, compaixão, altruísmo, fé, esperança e amor), seja para que venha a frequentar a mesma comunidade religiosa, seja para converter-se a outra religião; que constitui um direito assegurado pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, que em seu art. 18 diz:

Toda a pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção, assim como a liberdade de manifestar a religião ou convicção, sozinho ou em comum, tanto em público como em privado, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pelos ritos.

 

O importante é ter recursos para fazer escolhas munidas de ética humana e senso de justiça. Desta forma, a criança se desenvolverá sendo capaz de construir e estabelecer relações de respeito e empatia para com o outro, sem distinção de cor, gênero, religião, status socioeconômico ou perspectiva política.

 

Carla Queiroz Matias

Psicóloga