Terça Traquina – Ser mais….


Às vezes me sinto como se precisasse “ser mais”: mais perfeita, mais organizada, mais inteligente, mais bem-sucedida, mais eficiente. Isto tem me causado um grande peso, um fardo insuportável que também respinga em minha família – exijo deles aquilo que exijo de mim: exijo que minha filha jovem tenha projetos definidos para a vida, que a de 10 anos seja 100% em matemática e ame todos os dias ir para a escola, que a de 4 anos nunca prenda o xixi na hora de brincar até não conseguir segurar, e acho que gostaria de exigir até da bebê que tivesse sempre um belo sorriso estampado para mim e só quisesse colo quando eu pudesse dar.

E, de onde vem isso? Por que simplesmente não me contento com a “meia boca”, o “nivelar por baixo”? A quem desejo agradar, quero ganhar pontos com quem?

Interessante refletir numa frase dita a uma jovem de 19 anos, quando estavam falando sobre as urgências da vida acadêmica, mercado de trabalho e independência financeira.: – Você “JÁ” tem dezenove anos… e aí…?

Não julgo ser certo ou errado, considero, porém, só um ângulo da visão de mundo. Percebi que vivo tentando polir mais a lente que enxerga por esse ângulo. Por que faço isso? Foi aprendido? É tentativa de corresponder às expectativas dos que são próximos e importantes? Agradar a quem?

Uma certeza tenho: esse senso de urgência e emergência não tem me deixado feliz, em paz, não tem me tornado uma pessoa melhor.

Para que tentar agradar se não conseguimos suprir todas as necessidades dos outros? Para que tanto esforço em superar as expectativas que os outros têm de mim, se não conseguirei ser suficiente, até porque pais, filhos, amigos, vizinhos, cônjuge, clientes, parentes, têm, cada um, um rol de necessidades e múltiplas expectativas a respeito de tudo; sei também, que cada um destes, assim como eu, devemos procurar essa suficiência no que é perfeito: este é DEUS, O Criador, SENHOR de tudo e que enviou o Seu Filho JESUS CRISTO, para ser obediente em tudo e assim se tornar Aquele que preenche e supre nossas imperfeiçoes e carências:

“E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz. Pelo que também DEUS o exaltou soberanamente, e lhe deu o nome que é sobre todo nome;” (Filipenses 2.8-9)

Certamente, meu maior desejo é o de agradar o Pai, porém, Ele não criou expectativas a meu respeito, porque me amou quando eu ainda vivia no pecado; Ele não está decepcionado comigo, porque nunca teve ilusões a meu respeito; não preciso correr atrás de marcar pontos, pois Ele nem tem placar! Ah, que alívio!

Há quem diga que serve de desculpa para viver acomodado, relaxado, mais ouso dizer: É libertador! É motivador!

A motivação não é com algo volátil como as coisas terrenas, não é a de apaziguar alguém ou as suas exigências, porque dívida nos afasta do “cobrador” – A MOTIVAÇÃO agora é o desejo de ESTAR PERTO DO PAI, d’Aquele que supre com medida transbordante e generosa, nos faz herdeiros de tudo o que não fizemos por merecer. A motivação é ser melhor para fazer com que outros queiram também usufruir do que já foi dado pelo Pai generoso, herança essa que não acaba aqui, mas começa aqui e se estende pela eternidade. “Para que, sendo justificados pela sua graça, fôssemos feitos herdeiros segundo a esperança da vida eterna.” (Tito 3.7)

Quero sentir em todo o tempo que DEUS ME AMA, mesmo quando todos à minha volta parecem esperar algo de mim que não posso dar. Quero ter a certeza que sou liberta em Cristo, mesmo quando me vejo como a mais fraca pecadora. Quero entregar ao Pai o meu espírito, mesmo quando parecer que estou sozinha na escuridão.

Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem anjos, nem principados, nem coisas presentes, nem futuras, nem potestades, nem altura, nem profundidade, nem qualquer outra criatura nos poderá separar do amor de DEUS, que está em Cristo Jesus nosso Senhor. (Romanos 8.38-39)

 

Por Kátia Crispim