Terça Traquina – Amor e limites


“A justiça, e somente a justiça, seguirás. ” Deut. 16.20ª

 

Nos últimos meses, estamos sendo bombardeados por fortes e devastadoras palavras: medo, corrupção, violência, roubo, doenças, e tantas outras que fazem transbordar angústia e incerteza nos corações. Há quem diga, inclusive, que tem perdido esperança na humanidade. Este texto é um convite para que reflitamos acerca disso, sobretudo, se somos responsáveis pela educação de um ser em formação, seja em casa, seja no trabalho.

Você já pensou se fizéssemos tudo que se passa em nossas cabeças sem nos preocuparmos com as conseqüências? Certamente, a sociedade estaria ainda mais desordenada e desumana do que atualmente se encontra; e é justamente por isso que as regras sociais são um dos pilares constitutivos da subjetividade humana. Essas regras objetivam estabelecer uma relação sadia entre os sujeitos sociais e destes com o meio. Mas, se sabemos da importância do estabelecimento de limites e normas, por qual motivo há tanta transgressão?

Esta não é uma simples pergunta e nem se pretende obter uma rápida resposta. O objetivo é refletirmos a respeito das dificuldades de colocar e seguir as regras, de forma geral; e isto está tão entranhado na nossa cultura que fizemos do “jeitinho brasileiro” uma expressão popular para justificar as pequenas e grandes quebras nos acordos sociais. Será que é isto que desejamos transmitir aos nossos filhos, sobrinhos, netos ou crianças com as quais trabalhamos e convivemos?

Acredito que o primeiro passo para naturalizar o respeito às normas seja, antes de tudo, ser um adulto cumpridor das regras, uma vez que, nada inspira mais que o exemplo. Depois disso, é importante atrelar a imposição do limite ao amor. É fazer a criança confiar que o “não” que nós expressamos para impedi-la de fazer algo inadequado vem do nosso desejo de cuidar e instruir para o bem. É mostrar para ela que as medidas disciplinares, tais como, ficar sem acesso ao brinquedo que mais gosta ou ainda deixar de participar de uma atividade esperada; tem o objetivo de fazê-la refletir a respeito das conseqüências dos seus atos. É oferecer à criança, desde cedo, uma terra propícia ao plantio de uma vida autônoma e responsável.   É, sobretudo, construir, junto com ela, uma consciência humana, baseada no respeito e na ética.

Talvez, desta forma, quando esta criança amadurecer, atingir a idade adulta e também for responsável por outra(s) criança(s); saberá o valor que a vida possui e poderá deixar como herança a ética humana para quem com ela conviver. Não deixemos que as batalhas diárias esmoreçam nosso desejo de uma vida melhor. Sigamos lutando!

 

Carla Queiróz Matias

Psicóloga