Terça Traquina – Dicas para pais e alunos


Esta semana quero compartilhar algumas dicas úteis para Professores(as) e Pais de alunos:

Elogios na Sala de Aula

A qualidade do elogio não está nas palavras, mas na maneira como ele é feito. E isso na escola pode ter sérias conseqüências.

Numa sala de aula, elogios demais ou de menos podem ser igualmente prejudiciais para o estudante. Autora de uma tese sobre o assunto, Telma Vinha, de Campinas (SP), concluiu que esse discurso de admiração pode ser dividido em duas categorias: o valorativo e o descritivo.

O valorativo tem um caráter destrutivo, independentemente de conter uma crítica positiva ou negativa. A frase “Você é muito inteligente” é um exemplo. Nela está contido um juízo de valor. Esse tipo de exaltação, de acordo com Telma, gera dependência.

A criança passa a fazer as coisas com o objetivo de receber a aprovação das pessoas e vai perdendo a capacidade de se auto-avaliar. Imagine que um aluno muda uma mesa de lugar. Se em vez de afirmar “Você é muito forte” você disser “Obrigada, eu não conseguiria carregar isso sozinha”, o julgamento sobre ser forte ou não fica a cargo dele.

O estudante que tem sempre suas ações enaltecidas de forma valorativa pode ficar com receio de desapontar os outros.

“É uma carga muito grande ser inteligente ou bem-comportado durante o tempo todo”, considera a pedagoga.

Descrever Pontos Fortes

Já o elogio descritivo é benéfico e contribui para que o estudante adquira consciência da sua própria evolução. Expressões como “Parabéns. Seu texto está muito bem redigido. Você conseguiu captar bem o tema proposto” podem ser ditas em particular ou de maneira que a classe ouça, pois a turma toda aprende com os erros e acertos de um colega.

“Ser descritivo dá trabalho para o professor”, admite Telma. Ela explica que é mais fácil escrever palavras como “lindo” ou “parabéns” do que indicar os pontos fortes presentes em uma atividade. Se a classe for numerosa, você pode fazer essas intervenções em alguns trabalhos apenas, em cada aula. Por meio de um revezamento, ao final de determinado período todas as crianças terão suas lições avaliadas desse modo.

Para quem não está acostumada a atuar assim, Telma dá uma sugestão: “Faça de conta que está descrevendo o texto analisado para alguém que não o leu, ou o desenho ou projeto para alguém que não o viu”.

Três Razões para Elogiar

Por iniciativa: as boas idéias têm de ser valorizadas mesmo que o produto final seja ruim. Em nossas escolas esse tipo de elogio não é comum..

Por esforço: o empenho da criança precisa ser sempre reconhecido, caso contrário ela poderá se sentir desestimulado no futuro.

Por resultado: há alunos que aprendem com mais facilidade que os outros. Fique atento para não valorizar somente os bons resultados, já que todos precisam de elogios.

Kathy Short
Bacharel em Educação e Aconselhamento
Pós graduação em Educação Infantil
Pós graduação em Supervisão e Administração
Mestrado em Educação
Doutorada em Administração Educacional (falta tese)
Aposentada como diretora/coordenadora da Escola Americana do Recife (setor educação infantil e fundamental)