Terça Traquina – Motivação Escolar


“e crescia Jesus em sabedoria, estatura e graça diante de Deus e dos homens” Lucas 2.52

Estudar ainda é o melhor investimento para quem quer garantir um futuro brilhante para os filhos. A educação formal abre portas e mapeia caminhos para que o indivíduo se realize como ser produtivo e também fornece ferramentas necessárias para que o mesmo enriqueça a sociedade em que vive com seus talentos. Contudo, no afã de conquistar para os filhos o tão sonhado “lugar ao sol” alguns pais sobrecarregam seus pimpolhos, desde muito cedo, com todo tipo de cursos e treinamentos (Foi com muito espanto que ouvi a respeito de um bebê de um ano e oito meses que faz aulas de canto(?) Multiplicam-se o número de crianças e adolescentes que saem de casa de manhã muito cedo e só retornam a noite, passando o dia todo ás voltas com com ensinamentos, os mais variados, buscando serem excelentes.

Mas excelentes em quê? Pergunto-me se não estes jovens seres humanos sendo privados da formação essencial trazida pela conversa descontraída e saudável com os pais, a troca tranquila de informações sobre sonhos e sentimentos sem a presença opressora da régua medidora de desempenho revelada através de pergunta de cunho meramente investigativo a respeito de notas e conceitos, metas cumpridas e metas para cumprir.

As crianças e jovens olham a escola como um trabalho. E, ultimamente, não é mais um trabalho qualquer, se tornou, infelizmente,um trabalho escravo onde os pais desempenham , muitas vezes, o papel de feitores. Como professora sou a favor da escolaridade máxima possível para todos. Sou a favor do conhecimento e da informação adquiridos de forma progressiva e organizada que a escola fornece (ou deveria). Entretanto como mãe e avó sou a favor do aconchego formativo da presença familiar. Um desequilíbrio construído com base apenas no “futuro melhor” e desempenho acadêmico e não  em uma “pessoa melhor”, formará indivíduos plenos cognitivamente porém privados  e negligenciados emocionalmente.

Caberia uma breve reflexão sobre a nossa motivação em colocar os nossos filhos cada vez mais cedo e por mais tempo nas instituições de ensino.

Será que essa prática tão louvada e até disputada para saber qual filho estuda mais coisas desde mais cedo, não estará desguarnecendo as nossas queridas crianças de nossa ação educadora enquanto família?

Não estaremos delegando á escola o papel de ensinar a nossa história e os nossos valores, papel que ela não tem como desempenhar?

Jesus crescia em sabedoria, ele sabia empregar o conhecimento adquirido de forma ética e boa para todos. Em estatura, seu físico era forte. E em graça, que denota seu espírito saudável diante de Deus. Podemos dizer o mesmo das nossas crianças?

 

Janaina Vieira

Professora aposentada