A criança e seus questionamentos


A criança e seus questionamentos

Antes de qualquer coisa, solicito que você ouça a música da letra que se segue (https://www.youtube.com/watch?v=1ACVnOEoKtE):

Oito Anos

Adriana Calcanhoto

 

Por que você é Flamengo
E meu pai Botafogo?
O que significa
“Impávido colosso”?

Por que os ossos doem
enquanto a gente dorme?
Por que os dentes caem?
Por onde os filhos saem?

Por que os dedos murcham
quando estou no banho?
Por que as ruas enchem
quando está chovendo?

Quanto é mil trilhões
vezes infinito?
Quem é Jesus Cristo?
Onde estão meus primos?

Well, well, well
Gabriel…

Por que o fogo queima?
Por que a lua é branca?
Por que a terra roda?
Por que deitar agora?

Por que as cobras matam?
Por que o vidro embaça?
Por que você se pinta?
Por que o tempo passa?

Por que que a gente espirra?
Por que as unhas crescem?
Por que o sangue corre?
Por que que a gente morre?

Do que é feita a nuvem?
Do que é feita a neve?
Como é que se escreve réveillon?

O que essa música te faz lembrar? Você já se percebeu incomodado ou acuado diante dos inúmeros questionamentos lançados pelas crianças? São infinitos os porquês, não é mesmo?

Apesar de não ser uma fase confortável para alguns adultos, é lindo e saudável quando a criança começa a despertar para a vida, para o seu crescimento, e busca saber mais sobre ela mesma e tudo que a rodeia. É fascinante observar uma criança concatenando as ideias e, a partir daí, se encher de questionamentos genuínos e bem sérios.

Infelizmente, nós adultos, ouvimos como algo banal algumas perguntas que são endereçadas a nós. É tudo tão óbvio que mal merece uma reflexão. Infelizmente perdemos a curiosidade infantil de apreender a nós mesmos e o mundo que está a nossa volta.

Os questionamentos põem nosso saber à prova, e talvez nosso incômodo diante de tanta pergunta se dê, sobretudo, pelo fato de desejarmos saber sobre todas as coisas. Todavia, essa é uma missão impossível, fadada ao fracasso. Ainda bem! O que seria de nós se não tivéssemos o que descobrir a respeito da vida? E se perdêssemos o interesse pelo conhecimento?

Aproveitemos as crianças com quem convivemos, pessoalmente e profissionalmente, para nos abastecermos de questionamentos e interesse pela vida e por tudo que nos cerca. Aproveitemos a oportunidade de crescer junto com cada uma, entendendo que o crescimento é troca, é desprendimento; e sabedoria é ter humildade para compreender que estamos aprendendo a todo o momento.

 

Carla Queiroz Matias – Psicóloga