Terça Traquina – Qual é o seu lugar?


Qual é o meu lugar?

Ele não é mais criança, mas ainda não é adulto. Ele “já está crescidinho” para certas coisas, mas não tem autonomia para tantas outras. Ele se percebe mudando, rapidamente, de opinião, de corpo, de gostos; e se vê perdido diante de tantas possibilidades. Esse turbilhão de incertezas faz parte da vida de qualquer ser humano que se despede da infância e salta para um mundo quase adulto.

A partir daí, surgem os conflitos, sobretudo no seio familiar e com as figuras de autoridade. Não, não é por maldade; mas é que agora o adolescente, para se auto afirmar, acredita ser necessário romper com tudo que o constituiu até então. Não é á toa que é nomeado do contra tantas vezes.

Engana-se quem pensa que a dinâmica opositora da adolescência desagrada apenas os adultos. Nesta fase, meninos e meninas também se sentem desconfortáveis por não mais se encaixarem, sobretudo, nas expectativas dos adultos; tendo em vista que o processo de construção da identidade traz consigo uma série de desacordos entre pais e filhos, uma vez que o adolescente não mais se curva, tão facilmente, aos desejos do adulto, como fazia quando criança.

Mas esta fase precisa mesmo ser tão tumultuada? Acredito, sinceramente, que não. Sabemos que os conflitos são inerentes a vida humana: até quando estamos isolados amargamos os nossos desacordos internos. O X da questão é a forma como buscamos manejar as questões conflituosas que surgem.

Compreender que, ao crescer, nossos filhos e filhas, ou qualquer criança que esteja sob nossa responsabilidade, irão traçar os próprios caminhos, e respeitá-los, é um primeiro passo.

Não podemos ter garantias a respeito de que adulto a criança que educamos se transformará, sobretudo por sabermos que há inúmeras formas de internalizar a educação recebida, e isto ocorre a partir do próprio processo de subjetivação. Porém, há a possibilidade de que cada caminho escolhido esteja ancorado na base da educação que nós adultos ofertamos às nossas crianças, ainda na infância, orientando-as para uma vida ética e humana. Eduquemos com amor!

Carla Queiroz Matias – Psicóloga